Gripe, resfriado ou COVID: como saber a diferença?

Gripe, resfriado ou COVID? Entenda os sintomas mais comuns, o que observar, quando fazer teste e quando procurar atendimento médico.

DOENÇAS E CONDIÇOES

7/6/20266 min ler

Pessoa com sintomas respiratórios usando lenço no sofá, ilustrando a dúvida entre gripe, resfriado e
Pessoa com sintomas respiratórios usando lenço no sofá, ilustrando a dúvida entre gripe, resfriado e

Por Dra. Andrea Woolf, médica e professora de Educação Física
Publicado em: 6 de julho de 2026

Nariz entupido, garganta arranhando, tosse, dor no corpo, cansaço. Aí vem a pergunta que aparece todo inverno, toda mudança de tempo e toda vez que alguém do trabalho começa a espirrar em estéreo:

É gripe, resfriado ou COVID?

Pera aí… deixa eu te explicar.

Os três podem causar sintomas muito parecidos. Então, na vida real, não existe um “sintoma mágico” que sempre entregue o diagnóstico. Mas existem alguns padrões que ajudam a entender melhor o que está acontecendo e, principalmente, a saber quando vale testar, descansar em casa ou procurar atendimento.

Resumo em 30 segundos

  • Resfriado costuma ser mais leve e concentrado no nariz e na garganta.

  • Gripe geralmente começa de repente e derruba mais: febre, dor no corpo, dor de cabeça e cansaço forte.

  • COVID pode parecer gripe ou resfriado. Perda de olfato ou paladar pode acontecer, mas não aparece em todo mundo.

  • Só pelos sintomas, nem sempre dá para ter certeza. O teste pode ser necessário, especialmente se houve contato com alguém doente ou se você faz parte de um grupo de risco.

  • Falta de ar, dor ou pressão no peito, confusão, lábios arroxeados ou piora importante pedem atendimento rápido.

Por que é tão fácil confundir?

Gripe, resfriado e COVID são infecções causadas por vírus que atingem principalmente as vias respiratórias. Por isso, tosse, dor de garganta, coriza, febre e mal-estar podem aparecer em qualquer um dos três quadros.

A diferença está mais no conjunto dos sintomas, na intensidade, na forma como eles começaram e na evolução dos dias seguintes.

E aqui vai uma informação importante: você pode ter sintomas leves e ainda assim transmitir o vírus para outras pessoas. Então aquela ideia de “é só uma gripezinha, vou trabalhar mesmo assim” merece aposentadoria imediata. Ela já trabalhou demais. [1][2]

Como costuma ser um resfriado?

O resfriado geralmente é o mais “nariz e garganta” dos três.

É comum aparecer:

  • nariz escorrendo ou entupido;

  • espirros;

  • garganta irritada;

  • tosse leve;

  • sensação de cabeça pesada;

  • cansaço discreto.

A febre pode acontecer, principalmente em crianças, mas costuma ser menos frequente e menos intensa do que na gripe. A pessoa geralmente continua conseguindo tocar a vida, ainda que meio rabugenta e abraçada a uma caixa de lenços.

Em geral, o resfriado começa aos poucos e melhora em alguns dias.

Como costuma ser a gripe?

A gripe, causada pelo vírus influenza, costuma chegar com mais força e de forma mais repentina.

A pessoa pode estar razoavelmente bem pela manhã e, algumas horas depois, sentir que foi atropelada por um caminhão e muito mal-humorado.

Os sintomas mais comuns são:

  • febre;

  • calafrios;

  • dor no corpo;

  • dor de cabeça;

  • tosse;

  • dor de garganta;

  • cansaço importante;

  • mal-estar forte.

Coriza e nariz entupido também podem aparecer, mas, na gripe, o que costuma chamar mais atenção é a sensação de “estar realmente derrubado”.

A gripe merece atenção especial em crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas e quem tem doenças crônicas, como problemas cardíacos, pulmonares, renais ou diabetes. [1]

E como pode ser a COVID?

A COVID pode imitar tanto um resfriado quanto uma gripe. Em algumas pessoas, dá apenas dor de garganta e coriza. Em outras, provoca febre, tosse, cansaço, dor no corpo ou dor de cabeça.

Também podem aparecer:

  • calafrios;

  • perda ou alteração do olfato e do paladar;

  • náuseas, vômitos ou diarreia;

  • falta de ar;

  • sensação de aperto ou pressão no peito.

A perda de cheiro ou sabor pode levantar bastante a suspeita de COVID,

O ponto mais importante

Nenhum desses sinais, sozinho, confirma o diagnóstico. Quando houver dúvida, contato com alguém doente, convivência com pessoas vulneráveis ou sintomas mais fortes, o teste e a avaliação médica podem ser necessários.

Então, como ter certeza?

A resposta honesta é: nem sempre dá para saber apenas pelos sintomas.

Vale considerar a testagem para COVID quando:

  • você teve contato próximo com alguém com COVID confirmada;

  • começou com sintomas respiratórios;

  • mora ou convive com idosos, bebês ou pessoas imunossuprimidas;

  • vai visitar alguém vulnerável;

  • faz parte de um grupo de risco;

  • os sintomas estão fortes ou fora do habitual.

Os autotestes de antígeno podem ser usados nos primeiros dias de sintomas, seguindo exatamente as instruções da embalagem. Um resultado negativo não encerra automaticamente a história: se os sintomas continuarem ou a suspeita for alta, pode ser necessário repetir o teste ou procurar avaliação em um serviço de saúde. [3]

E atenção: um teste negativo para COVID não significa, por si só, que seja gripe. Existem testes específicos para influenza e outros vírus respiratórios, que podem ser solicitados quando necessário.

O que fazer quando os sintomas são leves?

Quando não há sinais de gravidade, os cuidados costumam ser simples:

  • descansar;

  • beber líquidos ao longo do dia;

  • manter alimentação leve, dentro do possível;

  • evitar contato próximo com pessoas vulneráveis;

  • usar máscara se precisar sair ou ficar perto de outras pessoas;

  • observar se os sintomas estão melhorando ou piorando.

Evite tomar antibiótico por conta própria. Gripe, resfriado e COVID são causados por vírus, e antibiótico não trata vírus.

Leia também: Antibiótico para gripe ou resfriado: funciona?

Para febre, dor no corpo ou tosse, o ideal é usar apenas medicamentos que sejam seguros para você e que já tenham sido orientados por um profissional de saúde. Quem tem doenças crônicas, usa vários remédios, ou está grávida precisa ter ainda mais cuidado com automedicação.

Quem deve procurar atendimento mais cedo?

Algumas pessoas devem buscar orientação médica logo no começo dos sintomas, porque podem ter maior risco de complicações e, em alguns casos, se beneficiar de tratamento específico nas primeiras horas ou dias.

Isso inclui:

  • crianças pequenas;

  • pessoas com 60 anos ou mais;

  • gestantes e mulheres no pós-parto recente;

  • pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, renais ou neurológicas;

  • pessoas com diabetes;

  • pessoas com câncer;

  • pessoas imunossuprimidas;

  • pessoas com obesidade importante.

Na gripe, alguns antivirais funcionam melhor quando iniciados cedo. Na COVID, também há tratamentos específicos para determinados grupos de risco, que precisam ser avaliados rapidamente por um profissional. [1][2]

Sinais de alerta: quando procurar atendimento rápido?

Procure um serviço de urgência se houver:

  • falta de ar ou dificuldade para respirar;

  • dor, pressão ou aperto persistente no peito;

  • lábios, rosto ou unhas arroxeados;

  • confusão mental, desmaio ou sonolência fora do normal;

  • incapacidade de beber líquidos ou sinais de desidratação;

  • piora importante depois de uma aparente melhora;

  • febre persistente ou estado geral muito comprometido.

Em bebês e crianças, atenção redobrada para dificuldade para respirar, sonolência excessiva, recusa persistente de líquidos, pouca urina ou comportamento muito diferente do habitual.

Não é para entrar em pânico. É para não ignorar um corpo que está pedindo ajuda em letras garrafais.

Dá para prevenir?

Dá para reduzir bastante o risco e, principalmente, as chances de formas graves.

As medidas mais importantes são:

  • manter as vacinas recomendadas em dia;

  • lavar as mãos com frequência;

  • manter os ambientes ventilados;

  • cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar;

  • usar máscara quando estiver com sintomas respiratórios ou em locais fechados e cheios;

  • evitar visitar pessoas vulneráveis enquanto estiver doente.

A vacina contra a gripe precisa ser atualizada anualmente porque o vírus influenza muda ao longo do tempo. A vacinação contra COVID também segue recomendações específicas para cada grupo. [1][2]

Perguntas frequentes

Perdi o olfato. É COVID?

Pode ser, mas não é possível confirmar apenas por esse sintoma. A perda ou alteração de olfato e paladar pode acontecer na COVID, mas outras situações também podem causar isso. O melhor caminho é considerar um teste e procurar avaliação se houver piora ou sinais de alerta.

Nariz escorrendo significa que é só resfriado?

Não necessariamente. Coriza pode aparecer em resfriado, gripe e COVID. O contexto inteiro importa: febre, dor no corpo, intensidade do cansaço, contato com pessoas doentes e evolução dos sintomas.

Se o teste de COVID der negativo, posso relaxar?

Depende. Um teste negativo pode acontecer mesmo quando a pessoa está infectada, especialmente se ele foi feito cedo demais ou de forma incorreta. Se os sintomas continuarem ou a suspeita for forte, repita conforme orientação da bula ou procure atendimento. [3]

Posso ter gripe e COVID ao mesmo tempo?

É possível ter mais de uma infecção respiratória ao mesmo tempo, embora não seja o mais comum. Por isso, sintomas fortes, persistentes ou em pessoas de maior risco merecem avaliação médica.

Em resumo

Resfriado costuma ser mais leve e ficar concentrado no nariz e na garganta. Gripe geralmente começa de repente e dá mais febre, dor no corpo e cansaço. A COVID pode parecer qualquer uma das duas, então, em muitos casos, o teste é o que ajuda a esclarecer.

Mas, mais importante do que decorar uma tabela de sintomas, é observar a evolução do quadro e reconhecer sinais de alerta.

Seu corpo não precisa falar “mediquês” para ser ouvido.

Faz sentido?

Referências

  1. Ministério da Saúde. Gripe (influenza).

  2. Ministério da Saúde. Covid-19.

  3. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Perguntas frequentes sobre autotestes para COVID-19.

  4. Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz. Gripe ou resfriado?

  5. Organização Mundial da Saúde. Similarities and differences between COVID-19 and influenza.

Sobre a autora
Dra. Andrea Woolf é médica e professora de Educação Física. Criadora do Explica, Doutora!, traduz temas de saúde em linguagem simples, humana e baseada em evidências.

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